A ORIGEM - IMIGRAÇÃO


 

 Encostado à direita do seu pai, já rebelde naquela época, e mesmo sendo para uma foto de álbum de família, o menino Newton se recusava a calçar sapatos. É que para ele o destino havia reservado as botas.

 

Da família sturzeneker, os verdadeiros motivos que a trouxeram para o Brasil em meados  do século passado, fazem parte de uma história que vai permanecer inédita, porque não existe argumento que justifique  um homem culto que falava fluentemente vários idiomas, sair da Suíça e estabelecer-se nas brenhas que circundavam a região de Caratinga nas Minas Gerais.

Naquela região, Johhan sturzeneker adquiriu uma grande faixa territorial, que se estendia da nascente até a desembocadura de um braço fluvial, desenvolvendo ali atividades agrárias e pecuárias, e deixando sua presença marcada cartograficamente num local em que posteriormente surgiu o Povoado do Suiço, a Serra do Suiço, e ainda o Rio do Suiço. Depois de se estabelecer, Johhan constitui família e começa a desbravar a propriedade, tomando-a produtiva em relativo curto espaço de tempo. Alguns anos mais tarde, infelizmente o  imigrante suiço  vem a falecer precocemente, deixando a viúva e vários filhos por cuidar, dentre eles, Altivo sturzeneker.

"Tão logo ficou viúva, minha avó, indefesa pela falta de instrução e excesso de ingenuidade, deixou-se impressionar, ficando assim a mercê das falsas amizades e dos velhacos da época, sendo que entregou a um desses toda a documentação do falecido, e ainda procuração para que se procedesse a legalização da propriedade. Dessa forma, Newton sturzeneker afirma que perdeu - se todo o fio da meada, e que alguns meses depois a viúva, sua avó, foi obrigada a abandonar as terras, que já estavam em nome de terceiros.

Mas não foi somente o imigrante suíço que veio a faltar precocemente. Altivo sturzeneker faleceu aos quarenta e sete anos, quando 0 menino Newton tinha pouco mais de quatro anos de idade.

Reminiscências  

Altivo Sturzeneker  

Efigênia Sturzeneker 

 

Embora não guarde muitas lembranças do pai, algumas poucas a gente pode perceber que são marcantes para Newton sturzeneker, principalmente a julgar pela emoção que transmite quando Fala: "Eu me lembro bem da satisfação que sentia, quando escutava o barulho do sincero do burro de guia, anunciando a chega­da de suas tropas." Outra, é a triste lembrança do dia em que morreu: "Ele havia sofrido um derrame cerebral, quando retomava para casa, de trem, depois de fazer um balanço na casa comercial  que possuía numa localidade chamada Cachoeirinha. Como era muito conhecido e respeitado, desembarcaram­no em Pedra Corrida, atravessaram o Rio Doce de canoa, para chegar no dia seguinte em Tarumirim. "Me lembro dele em cima do caminhãozinho, deitado sobre um colchão. Eu disse: Coitado do meu pai... tomei a bênção, e ele ainda respondeu... Parece que precisava que Ihe fizessem uma sangria, mas o médico demorou muito. Quando chegou, já era tarde, e ele faleceu."  

Ao contrário do pai, que se foi tão cedo, sua mãe, dona Efigênia sturzeneker, Foi uma mulher longeva que viveu quase um século, morrendo aos noventa e nove anos, em 1989. Assim, teve tempo suficiente para transmitir a imagem do pai ao penúltimo dos sete filhos, Newton sturzeneker.

"Meu pai era um homem muito trabalhador. Foi marceneiro, mas conhecia tudo sobre construção, sendo por esse motivo contratado para construir a igreja de Tarumirim. Apesar de jovem, meu pai já era viúvo quando conheceu minha mãe, e talvez tenha sido para esquecer a perda da primeira esposa que resolveu fixar residência em Tarumirïm, transferindo-se definitivamente para lá, em companhia do seu filho José sturzeneker, com quem morava anteriormente em Lajão, na época distrito, que depois iria se transformar no município de Conselheiro Pena."

Newton sturzeneker conta que ainda durante a construção da igreja, seu pai faz amizade com um futuro cunhado, que logo depois "arrumaria" o seu casamento com uma de suas irmãs, também viúva. "Minha mãe perde o  primeiro marido nove meses depois do casamento. Ele morreu de febre amarela, e tal fato a deixou abalada. Decidiu então que não mais se casa­ria, conforme me confessou. Com o passar do tempo e com os "arranjos' do seu irmão, acabou cedendo e re­solveu constituir nova família:'

Quando terminaram as obras da igreja, Altivo sturzeneker começou outra fase de sua vida, passando a comprar cereais, principalmente café, que era o grão ali produzido em maior escala, adquirindo logo a seguir sua primeira propriedade. Inicialmente montou uma boa casa de comércio, onde vendia de tudo. Depois, começou a financiar os Produtores da região, que se provinham do que precisavam durante o ano, pagando posteriormente com mercadorias, quando da colheita da safra.

Embora tenha deixado um patrimônio razoável, a mãe e o irmão mais velho não souberam administrar bem os negócios, provocando a perda de grande parte dos bens herdados. Aí, dona Efigênia vai se revelar uma incansável trabalhadora. Mais que isso, diz Newton Sturzeneker: "Uma verdadeira heroína, que conseguiu, a despeito de todos os contratempos e dificuldades, criar e educar os sete filhos."

Altivo Sturzeneker era um criador como qualquer outro que viveu em sua época. "Comerciante, que dependia da tropa para transportar o que comprava e o que vendia, possuía grande número de éguas. As melhores, isto é, as mais bonitas e mais cômodas, cruzava com Cavalos Manga­larga. As outras, cruzava com jumentos, para fazer animais de serviço e de carga. Mas, aos cavalos ele sempre dedicava um tratamento especial, mantendo-os nas rústicas cocheiras que ficavam bem próximas da casa, sempre ao alcance da sua vista.”

Quando Altivo Sturzeneker morreu, em 1932, seu filho mais velho , do primei­ro casamento, estava com pouco mais de vinte anos, e Newton desconhece por,quais motivos ele não deu continuidade ao trabalho de seleção, havendo então um vácuo provocado naturalmente pelas circunstâncias. Recentemente, remexendo nos alfarrábios da família, Newton Sturzeneker encontrou uma carta datada de 13 de agosto de 1931, escrita por seu pai e endereçada ao seu filho mais.velho, que morava em Cachoeirinha/ MG, autorizando-o a vender um lote de éguas. Newton Sturzeneker foi o único dos filhos a herdar esta grande paixão pelos cavalos, o que reforça o adágio popular "Cavaco não cai longe do pau'. Esteja onde estiver, o velho Altivo certamente estará feliz, porque o sobrenome STURZENEKER é hoje sinônimo de qualidade na raça.

Sr.Newton, D. Juasette e Família 

 

 

 


This file was downloaded with an evaluation copy of SuperBot. This message is not added by licensed copies of SuperBot.