A ORIGEM - IMIGRAÇÃO
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Encostado à direita do seu pai, já rebelde naquela época, e mesmo sendo para uma foto de álbum de família, o menino Newton se recusava a calçar sapatos. É que para ele o destino havia reservado as botas. |
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Da
família sturzeneker, os verdadeiros motivos que a trouxeram para o Brasil em
meados do século passado, fazem
parte de uma história que vai Naquela
região, Johhan sturzeneker adquiriu uma grande faixa territorial, que se
estendia da nascente até a desembocadura de um braço fluvial, desenvolvendo
ali atividades agrárias e pecuárias, e deixando sua presença marcada
cartograficamente num local em que posteriormente surgiu o Povoado do Suiço,
a Serra do Suiço, e ainda o Rio do Suiço. "Tão
logo ficou viúva, minha avó, indefesa pela falta de instrução e
excesso de ingenuidade, deixou-se impressionar, ficando assim a mercê
das falsas amizades e
dos velhacos da época, sendo que entregou a um desses toda a documentação
do falecido, e ainda procuração para que se procedesse a legalização
da propriedade. Dessa forma, Newton sturzeneker afirma que perdeu - se
todo o fio da meada, e que alguns meses depois a viúva, sua avó, foi
obrigada a abandonar as terras, que já estavam em nome de terceiros. Mas
não foi somente o imigrante suíço que veio a faltar precocemente.
Altivo sturzeneker faleceu aos quarenta e sete anos, quando 0 menino
Newton tinha pouco mais de quatro anos de idade. Reminiscências
Embora
não guarde muitas lembranças do pai, algumas poucas a gente pode
perceber
que são marcantes para Newton sturzeneker, principalmente a julgar pela
emoção que transmite quando Fala: "Eu me lembro bem da satisfação
que sentia, quando escutava o barulho do sincero do burro de guia,
anunciando a chegada de suas tropas." Outra, é a triste lembrança
do dia em que morreu: "Ele havia sofrido um derrame cerebral, quando
retomava para casa, de trem, depois de fazer um balanço na casa comercial
que possuía numa localidade chamada Cachoeirinha. Como era muito
conhecido e respeitado, desembarcaramno em Pedra Corrida, atravessaram o
Rio Doce de canoa, para chegar no dia seguinte em Tarumirim. "Me
lembro dele em cima do caminhãozinho, deitado sobre um colchão. Eu
disse: Coitado do meu pai... tomei a bênção, e ele ainda respondeu...
Parece que precisava que Ihe fizessem uma sangria, mas o médico demorou
muito. Quando chegou, já era tarde, e ele faleceu." Ao
contrário do pai, que se foi tão cedo, sua mãe, dona Efigênia sturzeneker, Foi uma mulher longeva que viveu quase um século, morrendo
aos noventa e nove anos, em 1989. Assim, teve tempo suficiente para transmitir
a imagem do pai ao penúltimo dos sete filhos, Newton sturzeneker. "Meu
pai era um homem muito trabalhador. Foi marceneiro, mas conhecia tudo
sobre construção, sendo por esse motivo contratado para construir a
igreja de Tarumirim. Apesar de jovem, meu pai já era viúvo quando
conheceu
minha mãe, e talvez tenha sido para esquecer a perda da primeira esposa
que resolveu fixar residência em Tarumirïm, transferindo-se
definitivamente para lá, em companhia do seu filho José sturzeneker, com
quem morava anteriormente em Lajão, na época distrito, que depois iria
se transformar no município de Conselheiro Pena." Newton
sturzeneker conta que ainda durante a construção da igreja, seu pai
faz amizade com um futuro cunhado, que logo depois "arrumaria"
o seu casamento com uma de suas irmãs, também viúva. "Minha mãe
perde o primeiro marido nove meses depois do casamento. Ele morreu de
febre amarela, e tal fato a deixou abalada. Decidiu então que não mais
se casaria, conforme me confessou. Com o passar do tempo e com os
"arranjos' do seu irmão, acabou cedendo e resolveu constituir nova
família:' Quando terminaram as obras da igreja, Altivo sturzeneker começou outra fase de sua vida, passando a comprar cereais, principalmente café, que era o grão ali produzido em maior escala, adquirindo logo a seguir sua primeira propriedade. Inicialmente montou uma boa casa de comércio, onde vendia de tudo. Depois, começou a financiar os Produtores da região, que se provinham do que precisavam durante o ano, pagando posteriormente com mercadorias, quando da colheita da safra. Embora tenha deixado um patrimônio razoável, a mãe e o irmão mais velho não souberam administrar bem os negócios, provocando a perda de grande parte dos bens herdados. Aí, dona Efigênia vai se revelar uma incansável trabalhadora. Mais que isso, diz Newton Sturzeneker: "Uma verdadeira heroína, que conseguiu, a despeito de todos os contratempos e dificuldades, criar e educar os sete filhos." Altivo Sturzeneker era um criador como qualquer
outro que viveu em sua época. "Comerciante, que dependia da tropa para
transportar o que comprava e o que vendia, possuía grande número de éguas. As
melhores, isto é, as mais bonitas e
mais cômodas, cruzava com Cavalos Mangalarga. As outras, cruzava com
jumentos, para fazer animais de serviço e de carga. Mas, aos cavalos ele sempre
dedicava um tratamento especial, mantendo-os nas rústicas cocheiras que ficavam
bem próximas da casa, sempre ao alcance da sua vista.” Quando Altivo Sturzeneker
morreu, em 1932, seu filho mais velho , do primeiro casamento, estava com
pouco mais de vinte anos, e Newton desconhece por,quais motivos ele não deu
continuidade ao trabalho de seleção, havendo então um vácuo provocado
naturalmente pelas circunstâncias. Recentemente, remexendo nos alfarrábios da
família, Newton Sturzeneker encontrou uma carta datada de 13 de agosto de 1931,
escrita por seu pai e endereçada ao seu filho mais.velho, que morava em
Cachoeirinha/ MG, autorizando-o a vender um lote de éguas.
Sr.Newton, D. Juasette e Família
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