
"EU
FICO SATISFEITO QUANDO ME CHAMAM DE MÁRIO DO PORTO
AZUL, PORQUE SOU REALMENTE UM PRODUTO DAQUI. TUDO QUE SEI,
TUDO QUE SOU E TUDO QUE TENHO, EU DEVO A NEWTON STURZENEKER".
Existem
pessoas quem nascem predestinadas a desenvolverem determinadas
aptidões artísticas. No caso aqui, me refiro
ao campista Mário Alves Rodrigues, que aos dezesseis
anos transferiu para o Espírito Santo, sujando as mãos
de barro e argila para garantir a sobrevivência, mas
que não demoraria mais que nove anos para trocar as
matérias primas inanimadas pela soberba espécie
eqüina, aprendendo com aquele que considera um verdadeiro
mestre, a arte de "esculpir" e educar cavalos, vindo
a ser considerado como o melhor tratador de animais do Brasil.
"Eu
fico satisfeito quando me chamam de Mário do porto
Azul, porque sou realmente um produto daqui. Tudo que sei,
tudo que sou, e tudo que tenho, eu devo a Newton Sturzeneker.
Ao longo desse laço de mais de trinta nos que une o
tratador a Newton Sturzeneker, e que os ama a verdadeira obstinação
por cavalos, Mário viveu momentos de glória,
emocionando-se a lembrar da primeira vez que apresentou um
animal em pista.
"Foi
em Cachoeiro de Itapemirim, aqui mesmo no Espírito
Santo. Estava trabalhando há apenas uma semana com
Sr. Newton, mas ele insistiu que eu entrasse montado e apresentasse
Charlatão JG. Nessa exposição, Charlatão
foi Campeão Cavalo e o Campeão de Marcha.
“Eu nunca vou me esquecer do momento em que anunciaram
o resultado. Por mais que remexa a memória acabocla,
escondida pelo rosto simpático e sempre pronto para
disparar um sorriso, Mário já não sabe
contar quantas vezes viveu situações idênticas
nos mais importantes Parques de Exposições do
País, incluindo o da Gameleira, que cumulativamente
conquistaram cinqüenta e um títulos, naquele que
é o maior evento da raça.
Modesto,
ele transfere o mérito deste sucesso para a tropa da
Porto Azul e para a família Sturzeneker, explicando:
"Primeiro, o nosso time é de primeira linha, normalmente
só perde se mudarem as regras do jogo. Segundo, antes
de apresentar o em pista, é como se formássemos
uma comissão técnica, nos reunimos e discutimos
qual melhor maneira de apresentá-los. E eu ainda conto
sempre com o auxílio externo do Sr. Newton ou de um
dos meninos dele, que me orientam de fora da pista."
Mário
não aceita o atributo daqueles que o consideram melhor
tratador do Brasil, dizendo que gosta de apresentar animais,
e que procura fazê-lo da melhor forma possível.
"Acredito
sim que seja um dos melhores. Mas não quero que me
chamem do melhor, até porque existem tratadores iguais
ou melhores que eu.” Sendo ou não melhor, o fato
é que Mário é um profissional bastante
disputado pelo mercado, sendo periodicamente contratado para
apresentar animais em leilões de Elite da Raça,
valorizando-os com uma postura correta, e pela elegância
da apresentação, o que acaba influindo diretamente
no preço final do produto oferecido em pista.
Quando
foi trabalhar na Porto Azul, na velha Fazenda de Jabaquara
que Newton Sturzeneker adquiriu do pai adotivo de Mário,
este já sabia montar, mas não conhecia absolutamente
nada sobre a arte de domar e tratar cavalos. Tudo que aprendeu
foi com o "cumpadre", como ele próprio diz:
“Tudo que aprendi foi com ele, e graças a Deus,
tive o melhor professor, porque ninguém, entende mais
de cavalo do que Sr. Newton. Pode ter alguém que entenda
igual a ele, porém, mais do que ele, eu garanto que
não existe."