A
história da Porto Azul, mais ou menos confunde-se com
a minha e dos meus irmãos. No final da década
de 1950, na minha primeira infância, lembro-me do meu
pai montado em Fronteira, na minha imaginação
de criança era um animal enorme, meu pai me falou que
não era tão grande assim, mas para quem tinha
5 anos e olhando-a de baixo para cima, realmente me causava
esta impressão.
Não
importa, para mim foi a maior égua que meus olhos já
viram, pois bem, ela era filha do primeiro cavalo que meu
pai usou, “Volante” um cavalo do nosso vizinho,
Manoel Calhau, da Fazenda Volta da Pedra, Conselheiro Pena,
cidade do Vale do Rio Doce das Minas Gerais, detalhe - tinha
um JB na pá direita.
As
descendentes deste cavalo foram a base da nossa tropa, registrada
na década de 1970, já no Espírito Santo,
coincidindo com início da minha juventude. A estas
éguas juntamos outras, adquiridas no Sul de Minas (JB,
Ara, Bela Cruz, Angaí), outras em Vassouras - RJ (Gironda),
em Leopoldina (Abaíba) e Recreio (Sama) para cruzarmos
com o recém adquirido MR
Tirano, um descendente de Herdade Teatro, que cruzando
com estas matrizes, produziu: Bartira do Porto Azul (Indígena
da Gironda) - Campeã Nacional Sênior de 1989
e Brinquedo do Porto Azul” - Grande Campeão Nacional
da Raça - 1990, com uma das descendentes de Volante
”- Nevada do Porto Azul.
Em
1978 vendemos MR
Tirano e adquirimos Charlatão
JG, na verdade Dourado JB (Sincero JB x Laranjada JB),
Campeão Nacional de marcha de 1977, que dentre outros,
deixou o grande Dilúvio do Porto Azul - bi-campeão
Nacional Cavalo, em 1985 e 1986 conquistando ainda o título
de Res. Grande Campeão Nacional da Raça, além
de Conselheiro do Porto Azul - Campeão Brasileiro de
Marcha - 1991, Charlatão deixou ainda na Faz. Herdade,
uma Grande Campeã Nacional da Raça - Herdade
Orquestra. Logo em seguida adquirimos Herdade
Capricho, que foi realmente um marco, dentro do nosso
criatório e da Raça. Na Porto Azul deixou:
·
Fortaleza do Porto Azul - Campeã Nacional Mirim - 1983;
·
Sublime do Porto Azul - Campeão Nacional Mirim - 1987;
·
Escuna do Porto Azul - Campeã Nacional Égua,
Grande Campeã Nacional da Raça e Campeã
Nacional de Marcha - 1987;
·
Galera do Porto Azul - Campeã Nacional Égua
Jovem e Grande Campeã Nacional da Raça - 1988;
·
Europa do Porto Azul - Campeã Nacional Égua
Adulta e Grande Campeã Nacional da Raça - 1989;
·
Herdeiro do Porto Azul - Campeão Nacional Junior -
1989;
·
Gurupi do Porto Azul - Campeão Nacional Cavalo - 1989;
·
Perfídea do Porto Azul - Campeã Nacional Potra
- 1990;
·
Nara do Porto Azul - Bi-campeã Nacional Potra - 1988
e 1989, Campeã Nacional Égua Jovem e Grande
Campeã Nacional da Raça - 1990;
·
Dior do Porto Azul - Campeã Nacional Senior - 1991;
·
Taifeiro do Porto Azul - Campeão Nacional Mirim - 1994;
·
Gaiteiro
do Porto Azul - Campeão Nacional Potro Jovem -
1993, Campeão Nacional Cavalo -1996, Campeão
Nacional Cavalo Adulto e Grande Campeão Nacional da
Raça - 1999;
Neste
intervalo, com Herdade
Capricho temporáriamente infértil, trouxemos
Gaiato Bela Cruz, que produziu com Ara
Jóia, Monarca do Porto Azul - Res. Campeão
Nacional Cavalo Jovem de Marcha - 1989 e Campeão Nacional
Cavalo - 1990.
Vale abrir um parêntesis
para a Matriz Ara
Jóia, adquirida ainda potra no Sul de Minas, produziu
com Herdade
Capricho duas Grandes Campeãs Nacionais da Raça
(Europa e Nara), além de Monarca (Gaiato Bela Cruz),
bi-campeã Nacional de Progênie, inscrita no MM7
e o primeiro animal da raça inscrito no MM8.
Já nesta época começamos a usar um filho
de Capricho na reprodução (Capricho
do Porto Azul), fruto de um cruzamento muito utilizado
no nosso criatório, desde a época do Volante,
que é o cruzamento de meio-irmãos, Capricho
do Porto Azul (inscrito no MM7) deixou:
· Opala
do Porto Azul - Campeão Nacional Cavalo e Grande Campeão
Nacional da Raça - 1992;
·
Xadrez do Porto Azul - Bi-Campeão Nacional Cavalo -
2000 e 2001 e Res. Grande Campeão Nacional da Raça
- 1992;
No
ano de 1998 adquirimos Ara
Terremoto juntamente com seu descendente consangüíneo
Ara
HF Brasil (2001). Estes dois garanhões foram utilizados
pelo importante resultado que tínhamos obtido com algumas
matrizes Ara usadas anteriormente, como Ara Loteria, Ara República,
esta irmã materna da grande Ara
Jóia. Nosso objetivo era prepararmos uma base feminina
para utilização dos descendentes de Herdade
Capricho, principalmente Gaiteiro
do Porto Azul, inscrito no MM7
e o mais novo a entrar no MM8. Gaiteiro talvez seja uma das
raríssimas exceções na Raça, um
Grande Campeão produzir Campeões, tanto em morfologia
quanto em andamento, vejamos:
·
Xangai do Porto Azul - Campeão Nacional Potro Jovem
- 1997 e Campeão Nacional Junior - 1998, além
de Campeão de Provas;
·
Antares do Porto Azul - Campeão Nacional Cavalo Junior
- 1999;
·
Daiana do Porto Azul - Campeã Nacional Égua
- CBM - 2004 e Campeã Nacional Égua de Marcha
- 2004;
·
Brida do Porto Azul - Campeã Nacional Égua Graduada
- CBM - 2005 e Campeã Égua Máster - 2006;
Para
refrescar o sangue utilizamos Haity
Caxambuense que deixou: Ébano do Porto Azul - Res.
Campeão Brasileiro de Marcha - 2005 e Elfo do Porto
Azul - Campeão Cavalo Sênior Marcha Picada -
2008 e Campeão dos Campeões Nacional de Marcha
Picada - 2009.
Nós temos o orgulho de apresentar neste histórico somente animais com títulos na Nacional, abstivemos dos inúmeros títulos de Reservados Nacionais e de vários títulos Estaduais, conquistados em quase todos os Estados da Federação.
Nesses anos que registramos na ABCCMM (33) contabilizamos (somente na Nacional):
· 07 Grandes Campeonatos Nacionais da
Raça;
·
37 Campeonatos Nacionais de Categoria;
· 25
Reservados Campeonatos Nacionais de Categoria;
· 07
Campeonatos Nacionais de Marcha;
· 06
Reservados Campeonatos Nacionais de Marcha;
· 09
Campeonatos Nacionais de Progênie;
· 11
Reservados Campeonatos Nacionais de Progênie;
· 30
Animais inscritos no Livro
de Elite MM7 ;
· 07
Animais inscritos no Livro
de Elite Especial MM8;
· 04
Anos Consecutivos Melhor Criador/Expositor do Brasil.
Por tudo isto, continuamos a criar, pois independente dos modismos cíclicos que acometem nossa Raça, independente dos altos preços alcançados ou dos baixos, dos julgamentos sem critérios e despadronizados, temos a convicção de que passaremos para as gerações futuras, uma grande carga genética, trabalhada e amalgamada com todas as boas linhagens que passaram em nossas mãos, que estará imune aos modismos e perpetuada na máxima de que, o bom cavalo é atemporal, existiu, existe e existirá, e de que bom e ruim existe em qualquer lugar.
Para terminar, rendo minha homenagem ao meu pai, totalmente lúcido e atuante, ao meu irmão Luciano companheiro no criatório, ao meu irmão postiço e compadre Mário e ao meu querido e inesquecível irmão/filho Marquinho, que paira com sua luz sobre nosso presente e futuro, quiçá sobre algum neto ou neta, que assumam a Porto Azul com a mesma paixão e correção com que nós conduzimos até aqui.
Porto Azul, 25 de março de 2010.
Newton Sturzeneker Junior